Na máquina de corte a laser de fibra, o bico é uma peça pequena com um trabalho enorme: ele direciona o gás de assistência exatamente sobre o ponto onde o feixe encontra a chapa. Bico errado — ou gasto — significa rebarba, corte que não atravessa e gás desperdiçado. E a primeira escolha é sempre entre camada simples e camada dupla.
Bico de camada simples (single)
O bico simples é a escolha para cortes com nitrogênio ou ar comprimido — os chamados cortes de alta pressão, típicos de inox e alumínio. Nesses cortes o gás não participa da queima; ele só expulsa o metal fundido. O canal único do bico simples entrega o fluxo concentrado que esse trabalho pede.
Bico de camada dupla (double)
O bico duplo tem duas peças — um núcleo e uma capa externa — que dividem o fluxo de gás. É o indicado para corte de aço carbono com oxigênio: o desenho estabiliza a chama da reação do O2 com o aço e refrigera melhor a ponta do bico, que nesse tipo de corte esquenta muito. Resultado: corte mais estável em chapas grossas e vida útil maior do consumível.
E o diâmetro do furo?
A regra geral relaciona o furo com a espessura e o gás:
- Furos menores (1.0 a 1.5 mm): chapas finas e cortes a nitrogênio — o jato concentrado dá borda limpa e economiza gás;
- Furos médios (2.0 a 2.5 mm): espessuras intermediárias, uso geral;
- Furos maiores (3.0 a 4.5 mm): chapas grossas com oxigênio, onde o volume de gás importa mais que a concentração.
Vale lembrar que a tabela de corte do fabricante da sua fonte (Raycus, Max e outras) sempre indica o bico por espessura — ela é o ponto de partida; o ajuste fino vem do teste na sua chapa.
Rosca e assento: M11 ou M14
Antes de comprar, confira o padrão do seu cabeçote. Os mais comuns no Brasil são M11 (corpo D28) e M14 (corpo D32). Bico de rosca errada simplesmente não assenta — e um bico mal assentado vaza gás e descalibra o sensor capacitivo de altura.
Quando trocar o bico
- Furo ovalizado ou com mossa (respingo grudado): o jato de gás sai torto e o corte perde perpendicularidade;
- Rebarba aparecendo de um lado só da peça — sinal clássico de bico danificado ou descentralizado;
- Sensor de altura instável: bico com respingo interfere na leitura capacitiva;
- Depois de qualquer colisão do cabeçote com a chapa, inspecione bico e cerâmica.
A cerâmica, aliás, é a parceira do bico: ela isola e segura o conjunto. Colisão que salvou o bico pode ter trincado a cerâmica — mantenha as duas peças em estoque, porque são os consumíveis que mais param produção de fibra.
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